segunda-feira, 4 de julho de 2011

Palma de Mallorca - jun/11



Após uma semana em Horta, as tão aguardadas peças chegaram e, reparos feitos, zarpamos com uma previsão de tempo não muito alentadora, mas fazer o que, não estávamos em cruzeiro e tínhamos datas a cumprir.

Saímos motorando em um mar espelhado e diversas baleias e golfinhos apareceram para uma ultima exibição nas águas açorianas

A partir daí foi só pauleira: o vento foi aumentando, aumentando, aumentando e infelizmente, contra. O barco só queria acelerar e a cada batida que dávamos nas ondas tremia tudo, um barulhão daqueles.

Vela mestra no terceiro rizo e stay sail também reduzida.

E mesmo assim íamos a 7, 8 nós. Muitas ondas conseguiam inundar o cockpit central e uma mais afoita encharcou a todos no cockpit da popa, conseguindo achar umas pequenas vigias abertas e dar um banho daqueles no pessoal que dormia lá dentro! E isso num veleiro com 100 pés, imagine um barco menor...

Um outro superyacht que velejava próximo não quis aliviar, velejava com mais pano e andava a 11 nós, mas não deu outra, arrebentou uma das velas e teve outros danos.

Não tem jeito, com ventão e marzão tem que ir pianinho senão quebra tudo. Claro que o pessoal em regata manda ver, mas aí é outra história, estão querendo bater recordes e quando o barco quebra, há uma equipe em terra para efetuar os reparos (e o patrocinador paga as contas).

Enfim, um trecho bem sofrido e foi um alívio quando o vento começou a baixar para os 30 nós. Passamos por Gibraltar motorando em um lindo dia de sol. Mas o vento foi contra até Palma de Mallorca, onde chegamos debaixo de chuva.

Terminamos nossa transição e passamos o barco formalmente para o Galdo e Andy, a nova tripulação. Muita sorte pra todos!

Foi uma excelente experiencia ter tripulado um veleiro deste porte. Trabalhamos muito, aprendemos muito. Decidimos sair do barco porque as prioridades nesse momento são outras. Assim, nossas cabeças voltaram-se pras férias do Alex, que iríamos encontrar em Curaçao Mas tivemos que passar uns dias em Palma, aguardando a emissão das nossas passagens. Como a Aninha voou do Brasil para encontrar o Felipe, alugamos um carro juntos e fomos “dar uma banda” por lá.

Realmente surpreendente! Um lugar lindo, com vistas espetaculares e penhascos incríveis, estradinhas sinuosas onde a cada curva uma nova paisagem arrancava “ahs” e “ohs” dos dois casais apaixonados, já que Ana e Felipe são recém-casados e a Paula e eu não perdemos oportunidade para mais uma lua-de-mel.

Alem das paisagens, os vinhos regionais foram outra boa surpresa acompanhando a saborosa comida espanhola. Dormimos uma noite num antigo convento transformado em hotel e não valeu a pena: a comida era horrível e as acomodações e camas convidavam mais a penitencia do que a luxúria... Óbvio, tudo virou motivo de boas risadas, já que quando a roubada é inevitável manter o bom humor sempre ajuda.

De lá fomos a Amsterdam, de onde sairia nosso voo. Aproveitamos e ficamos uns dias por la curtindo canais, museus, tulipas e toda aquela atmosfera cosmopolita.


Aqui em Curaçao mais do mesmo: manutenção, manutenção, faxina, faxina . Barco fechado um tempão, já viu. Trabalhamos muito, mas tivemos a agradável companhia do Torres e Eliza e vejam vocês, do Marcelo (Bethoven/Gardian) que chegou no mesmo dia e também sofreu com a mesma rotina de preparar o seu barco e, coitado, ainda teve que me ajudar em um monte de coisas. Nos havíamos encontrado a última vez aqui mesmo, 3 anos atrás e depois no Panamá e Miami, em uma série de incríveis coincidências

E alguns dias atrás, chegaram Alex e Maura, também coincidentemente no mesmo dia. Agora estamos aqui no Pajé em ritmo de férias e aventura, com praia, futebol, polo, frisbee, peteca, frescobol, surfski, jogos mil e até um cineminha 3D!

E com nossos queridos amigos vizinhos, jantares e longas conversas no convés.

Muito bom mesmo estar de volta a nossa vidinha e o melhor de tudo, com o super sagui!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Açores - mai/11


View Larger Map
Ora pois, cá estamos nos Açores, mais precisamente em Horta, na ilha de Faial.

Tivemos uma navegada muito boa com a ajuda do Bruce, o weather router que nos auxilia. Acompanhamos os ventos de uma zona de baixa pressão e foi uma beleza!

Em alguns dias conseguíamos distinguir claramente a frente, com suas nuvens e ventos, e tínhamos a nítida impressão que estávamos surfando a beirinha dela, muito legal.

Mas enfrentamos alguns dias de calmaria, óbvio, e tivemos que motorar. Numa dessas noites tomamos um dos maiores sustos até agora: 02:45 da manha (porque essas coisas sempre acontecem a noite?), Paula e James no turno, soa o alarme de incêndio – e soar é uma sutileza, o negócio faz um barulho do cão – em instantes a Paula tá na frente do painel avisando “é no engine room”, nisso eu já estou passando por ela, indo pro salão do barco que está todo enfumaçado – hmmm aiaiai, será? Sinto a temperatura da porta, não está quente, menos mal, começo a abrir lentamente, não há sinais de chama. Ufa! Nesse meio tempo a Emma já estava do lado de fora com o James, o motor já havia sido desligado e a stay sail desenrolada para dar algum controle ao barco.

Já dentro do compartimento do motor identifico a causa. Incrivelmente, os rolamentos do esticador da correia do motor, que faz girar as bombas de água e o alternador, travaram, a polia parou de girar, a correia continuou girando e tudo virou uma massa de plástico disforme, fuligem, pedaços de borracha e fumaça pra todo o lado.

Que susto, que susto. Ninguém merece. Provavelmente tudo isso ocorreu em poucos minutos, contando assim parece tranquilo, mas olha, ter um alarme de incêndio e o barco todo enfumaçado de madrugada no meio do Atlântico é uma experiencia e tanto...

Mas valeu pela reação da tripulação Sempre treinamos/ensaiamos para essas situações – incêndio, homem ao mar, abandono do barco, etc. E o treinamento realmente fez a diferença. Todo mundo sabia o que fazer, papeis previamente definidos e todo mundo fez bonitinho sua parte, sem confusão nem pitis! Parabéns e obrigado tripulação!

A segunda parte também foi bastante interessante, achar um meio de fazer o motor funcionar de novo. Mais uma vez a criatividade dos engenheiros da Gambitech (expressão criada pelo Weber, do Acauã) salvou o dia. Uma cordinha daqui, vira o alternador pra lá, puxa esse fiozinho pro lado, amarra aqui, estica assim e pronto! Nosso motor voltou a ronronar macio e nos garantiu centenas de milhas navegando tranquilamente quando a calmaria finalmente nos alcançou.

Chegamos a Horta de madrugada, 12 dias e 2300 milhas desde Antigua e ficamos esperando clarear o dia para entrar no porto. Barco atracado, um brinde e um belíssimo café da manha.

Os Açores merecem a fama que tem. Muito, muito bonito e faz aquele friozinho gostoso. Tudo super arrumado, limpo. Não vimos sinais de pobreza. Arquitetura colonial, as pessoas atenciosas, doces. Legal mesmo. Comida também de primeira (polvo, bolinhos de bacalhau, hmmm) e preços mais do que justos.

Vulcões pra tudo quanto é lado. Aliás, vamos acabar nos tornando vulcanólogos, pois pensando bem, em todos esses lugares que temos visitado os vulcões são grande atração E tome subir montanhas, visitar crateras... Aqui a mais recente erupção foi em 1957/8 e as cinzas formaram um novo promontório. O museu tem todas as fotos do processo, fantástico!

Coisas famosas e tradicionais aqui em Horta: o Café Sport ou Peters bar, um bar mundialmente famoso entre os velejadores, faz parte da tradição náutica tomar um gorozinho la. Outra tradição é fazer uma pintura no pier, marcando sua passagem. Divertido também achar pinturas de amigos que por aqui já passaram. E, óbvio, as baleias. Os Açores são plenos em baleias e da época da caça só ficaram os museus. Hoje só se mira baleia com a máquina fotográfica. Inúmeros barcos levam os turistas para passeios junto a elas e incontáveis golfinhos.

Conservadores que somos, cumprimos a tradição a risca, avistamos baleias, cometemos nossa pinturinha e fomos repetidas vezes ao Peters bar. Muito bom poder falar sua própria língua ao fazer o pedido: uma cerveja grande, uma bagaça e bolinhos de bacalhau, por favor!

Agora estamos aguardando as peças para retomar a viagem, deu até pra atualizar o blog! Ah, esqueci de comentar que os dois controles do piloto automático também quebraram, além de ganharmos um belo vazamento na bomba do watermaker.

Geraldo e a Andy, que vão nos substituir assim que chegarmos em Palma tem nos acompanhado em todas essas e curtido bastante.

Felipe, grande apostador, ganhou uma aposta do Geraldo (de que lado os cajus ficam presos aos galhos?) Geraldo, caloteiro, não pagou... mas o Felipe tomou alguns dólares meus, pois apostamos que ele não teria coragem de entrar na água (17°C). O cara não teve duvida, tirou a roupa no meio da marina, ficou de cueca e tchibum! Putz!


Levou meu dinheiro, mas tenho o prazer de dividir com vocês, caros(as) leitores(as), as imagens desse rotundo atleta exercitando-se no Atlântico Norte.


Inté, beijos!